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Das Unterseeboot 1277

O submarino U1277 foi construído nos estaleiros da Bremer Vulcan em Bremen - Vegesack, e lançado à água a 6 de Agosto de 1943. O seu comando foi entregue ao Oberleutnant zur See Peter-Ehrenreich Stever a 3 de Maio de 1944. Stever foi promovido a Kapitänleutnant a 1 de Janeiro de 1945. Foi o penúltimo submarino a ser lançado à água neste estaleiro. O último submarino a sair e a integrar a Kriegsmarine foi o U1278, com o comando entregue nas mãos de Kapitänleutnant Erich Müller-Bethke. Este seguiu praticamente o mesmo rumo do nosso U1277, mas com destino diferente. Foi afundado no dia 17 de fevereiro de 1945 no Mar do Norte, a noroeste de Bergen, por cargas de profundidade lançadas por duas fragatas britânicas, o HMS Bayntun e o HMS Loch Eck, causando a morte a toda a sua tripulação constituída por 48 homens. 

O U1277 era da classe VIIC41, pertencia à série 1271 e tinha originalmente 67.23 metros de comprimento, 6.20 metros de pontal, 4.74 metros de boca e 9.55 metros de altura máxima. Para se deslocar utilizava dois dos quatro motores disponíveis (dois a diesel e dois elétricos) que geravam uma força de 3200hp com velocidade máxima de 17.6 nós à superfície e 750hp com velocidade máxima de 7.6 nós submerso.

Deslocava 769 toneladas à superfície e 871 toneladas quando submerso. Tinha um raio de ação de 8500 milhas a 10 nós à superfície, 130 milhas a 2 nós submerso, 3250 milhas a 17 nós à superfície e 80 milhas a 4 nós submerso. A sua profundidade operacional máxima situava-se perto dos 240 metros a qual atingia num tempo máximo que variava entre os 25 e os 30 segundos, e tinha uma capacidade de armazenar 113.5 toneladas de combustível. Estava equipado com quatro tubos de lançamento de torpedos à proa, dois a bombordo e dois a estibordo, e um quinto à ré (todos de 533mm), transportando um total de 14 torpedos. Possuía também, no exterior, artilharia antiaérea constituída por um canhão automático de 37mm e quatro metralhadoras de 20mm equipadas aos pares.

A vida a bordo destes submarinos era difícil, num espaço reduzido viviam durante meses, em média, de 50 a 55 homens, que constituíam a tripulação do navio. Apenas havia duas casas de banho para todos, das quais uma, no início de cada campanha, se encontrava cheia de mantimentos, pelo que apenas uma das casas de banho servia os 50 homens. Não havia duche, não havia médico a bordo, a água potável era racionada e, conforme as águas por onde navegasse o submarino assim era a sua temperatura no interior, ou seja, se navegassem nas águas geladas do Mar do Norte, no interior do submarino fazia muito frio e se navegassem mais a sul, junto ao equador, o interior do submarino era muito quente, o que provocava nos tripulantes irritações na pele e alergias. Sempre que tinham tempo livre, as tripulações aproveitavam para descansar no exterior e respirar um pouco de ar puro. 

O submarino foi integrado na 8ª flotilha no dia 6 de Agosto na qual funcionou como navio de instrução e experiências. A 8.Unterseebootsflottille era uma Ausbildungsflottille, uma flotilha de treino, com base em Danzig. Fora fundada em Junho de 1941 sob o comando de Korvettenkapitän Wilhelm Schulz. Nos últimos meses de 1944 alguns submarinos desta flotilha combatiam contra a Armada Soviética no Báltico, já sob as ordens de Fregattenkapitän Hans Pauckstadt. A 8ª flotilha acabou por se dispersar e a sua história acaba em finais de Janeiro de 1945. 

Dada a escassez de submarinos de combate na frente atlântica, a 11 de Fevereiro de 1945 foi transferido para a  11ª flotilha de submarinos da Marinha de Guerra do Reich comandada por Fregattenkapitän Heinrich Lehmann-Willenbrock, um herói condecorado com a Cruz de Ferro de 2ª classe (1940.04.20), Cruz de Ferro de 1ª classe (1940.12.31), Ubootskriegsabzeichen (1941.01.02), Cruz de Cavaleiro (1941.02.26) e Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho (1941.12.31), cujo palmarés somava 22 navios afundados num total de 166.596 toneladas. 

A 11ª flotilha era uma flotilha de combate com base em Bergen, Noruega. Fora fundada a 15 de Maio de 1942, sob o comando de Korvettenkapitän Hans Cohausz. A maioria dos submarinos desta base operava no Mar do Norte. Em Setembro de 1944, quando os submarinos de bases francesas alcançavam a Noruega, a flotilha foi reorganizada e, em Dezembro do mesmo ano, o comando entregue a Heinrich Lehmann-Willenbrock. Operavam nesta flotilha quase 180 U-boots das classes VIIC, VIIC41, XXII e XXIII. O primeiro submarino da classe XXI, o "Elektroboot" U2511, executou a sua primeira e também única patrulha nesta flotilha com Korvettenkapitän Adalbert Schnee ao comando. Este submarino rendeu-se em Maio de 1945, no porto Bergen. Zarpou para a sua última viagem a 14 de Junho para Lisahally, Irlanda do Norte, onde terá chegado a 21 de Junho para integrar a "Operação Deadlight". A 2 de Janeiro de 1946 foi transportado para Moville, onde, às 19h40 do dia 7 de Janeiro do mesmo ano, foi deliberadamente afundado por tiros de artilharia. Encontra-se desde então a uma profundidade de 69 metros. 

A história da 11.Unterseebootsflottille acaba em Maio de 1945, com a rendição da Alemanha. 

Curiosidade: A bordo do U-96, comandado por Heinrich Lehmann-Willenbrock, durante a 7ª patrulha, de 27 de Outubro a 6 de Dezembro de 1941, estava o correspondente de guerra Sonderführer-Leutnant Lothar-Günther Buchheim. Trinta anos mais tarde escreveu “Das boot” baseado nas experiências vividas a bordo naquela campanha e usou Heinrich L. Willenbrock como modelo para comandante. 

A missão do U1277 era, após ter largado de Bergen, rumar ao Atlântico, via Estreito da Islândia, e patrulhar a entrada do Canal de Mancha. A tripulação só soube do seu destino quando alcançaram mar alto e abriram o envelope selado com a missão atribuída, entregue ao comandante momentos antes da partida do submarino. Era, como chamavam na Werhmacht, “uma missão de ir para o céu”, ou seja, sem retorno. Todos os homens a bordo do submarino tinham consciência do seu destino. 

Durante a II Guerra Mundial serviram nos U-boots 40.000 marinheiros alemães. 

30.000 nunca regressaram. 

Deixou a base no dia 21 de Abril, sob intenso bombardeamento, para a sua primeira e única patrulha como submarino de combate, submergindo logo de imediato nas geladas águas do Mar do Norte sem poder emitir qualquer sinal de rádio sob o risco de ser localizado e afundado pelas forças aliadas. A tripulação apenas recebia informação através do aparelho de rádio montado no topo do snorkel. Foi desta forma que receberam a 4 de Maio a mensagem do Großadmiral Karl Dönitz, que ordenava a todos os submarinos que se encontravam no ativo a suspenderem todas as ações ofensivas contra os navios aliados, desarmarem os seus torpedos, emergirem, içarem a bandeira negra e se entregassem no porto aliado mais próximo, era o início da “Operação Arco-íris”, e dias mais tarde, a 7 de Maio, a notícia da capitulação da Alemanha. A guerra terminara. 

A sua tripulação era constituída por 47 homens, dos quais 4 eram oficiais - Comandante (Peter Ehrenreich Stever), primeiro imediato (Johannes Malwitz), segundo imediato (Carl Hermann Stachow) e oficial de máquinas (Ernst Engel) - 4 eram sargentos, 10 eram cabos e os restantes 29 eram marinheiros. A idade da tripulação deste submarino rondava entre os 19 e os 20 anos de idade, sendo o comandante Stever o mais velho com 27 anos. 

Apesar de a guerra ter terminado, a saga do submarino U1277 ainda continuava. A rendição e entrega do submarino aos aliados não faziam parte dos planos do comandante. Voltar à base naval de origem, em Kiel, na Alemanha, implicava enfrentar de novo um longo caminho pejado de navios inimigos e aviões. E uma vez chegados a Kiel, havia sempre o risco do porto ter caído nas mãos dos soviéticos, sinónimo de morte certa para qualquer soldado alemão. A Argentina era um destino provável, mas cedo abandonado, pois estava fora de alcance. A cidade de Vigo, no norte de Espanha, foi então o destino escolhido pelo comandante Stever em conjunto com os outros oficiais a bordo e aprovado pela sua tripulação. Mas, devido à confusão das comunicações na altura, receberam informações de movimentos comunistas em Espanha, o que os fez abandonar esse destino. Há 42 dias que o submarino navegava submerso, com o combustível, assim como os mantimentos, quase no fim. Portugal foi a escolha do comandante e dos seus homens pelo facto de ser um Pais neutro e se encontrar perto. 

Depois de abandonar a maior parte da sua tripulação e dos seus objetos pessoais, entre os quais se encontravam Kurt Ernst e Walter Herkstroeter, em balsas de borracha aproximadamente a uma milha de costa ao largo de Angeiras, Stever rumou para Sudoeste, desativou os torpedos e distribuiu pelo navio quatro homens, um ao leme, Ernst Engel no compartimento de comando, Horst Schröder no compartimento da proa e Alwin Wollenweber, sargento eletricista do U1277, no compartimento da popa, com instruções para o afundar. Abriram as válvulas do chão e inundaram o estabilizador traseiro e o compartimento da popa. Abriram os depósitos de combustível que se encontravam vazios para os encher de água. À proa nada fizeram. Foi abandonado a 2.5 milhas de terra com a escotilha da ponte aberta, acabando por naufragar de popa. Os cinco homens deixaram o U1277 na última balsa e dirigiram-se para terra. Alguns náufragos foram ajudados a chegar a terra por pescadores de Labruge e Angeiras e outros pelo navio salva-vidas “Carvalho Araújo”, que alertado se apressou a sair para o mar. 

O ponto de encontro combinado pela tripulação em terra seria junto a dois moinhos que até há pouco tempo ainda existiam na praia de Labruge. 

Foi voluntariamente afundado na madrugada de 3 de Junho de 1945, pelas 00h45m, ao largo do Cabo do Mundo, a norte da cidade do Porto, depois de navegar sem rumo pelo Atlântico durante um período de um mês. 

Horas depois de chegar a terra a tripulação do U1277 foi encaminhada para o castelo de S. João da Foz, no Porto, onde na altura estava sedeada uma unidade militar. Dias depois forma transferidos para Lisboa, a bordo do contratorpedeiro Diu, comandando por João Pais, e depois de entregues às autoridades aliadas foram enviados para Inglaterra, via Gibraltar, onde passaram dois anos como prisioneiros de guerra antes de regressarem a suas casas na Alemanha. O Kapitänleutnant Peter-Ehrenreich Stever permaneceu preso durante mais algum tempo, condenado em tribunal militar inglês por ter ordenado o afundamento do seu submarino. 

Em Outubro de 1973 um grupo de mergulhadores desportivos acompanhados por pescadores locais mergulharam no local onde havia algo que prendia as redes de pesca. Foi com agrado que verificaram que o peguilho era o famoso submarino alemão afundado no fim da guerra. Repousa desde então a 31 metros de profundidade, num fundo de areia com a ré completamente assoreada e tombado para bombordo cerca de 45 graus. A proa, virada a sul, já desapareceu, existindo ainda os quatro tubos lança torpedos da proa. Os dois de bombordo estão caídos na areia e os dois de estibordo estão colocados no respetivo lugar. Grande parte do casco exterior do submarino já apodreceu devido a mais de setenta anos de águas revoltas, permitindo ao mergulhador observar alguns pormenores que normalmente se encontram escondidos debaixo do convés destas embarcações. Salientamos as escotilhas para carregamento dos torpedos para o compartimento da proa e da popa, a escotilha por onde carregavam as baterias e viveres para o interior, a escotilha do convés que dá acesso direto à cozinha e aos aposentos da tripulação. A estrutura da torre onde estava colocado todo o armamento antiaéreo também ruiu, deixando à vista o complexo sistema de exaustão de gases dos motores a diesel do submarino (entretanto também já desaparecidos). Curiosamente os tanques de lastro de estibordo, embora apodrecidos e esburacados, ainda estão perfeitamente visíveis. 

O casco do navio está coberto de pequenas anémonas brancas (Sargatia elegans), as fanecas são aos milhares, os congros são dos maiores que se podem encontrar nestas águas, os enormes e curiosos polvos, os fantásticos lavagantes e a maravilhosa comunidade de anémonas rosadas proveniente do Mar do Norte são alguns dos atrativos naturais deste naufrágio. Por vezes temos encontros inesperados com alguma vida que não é muito comum nestas paragens como o peixe galo ou o peixe-lua. Na torre apenas se encontra o casco de pressão, constituído por placas metálicas soldadas de aproximadamente 22mm de espessura, o periscópio de combate ainda com o inox a brilhar e a escotilha sem tampa.

Apesar do seu estado de deterioração, o submarino U1277 é ainda um dos pontos de maior interesse no mergulho desportivo em Portugal e o melhor do norte do Pais. 

Autoria: Luís Mota

Navio do norte

Trata-se de um naufrágio cuja história desconhecemos. Sabemos tratar-se de um navio antigo, de construção em madeira, mas o tipo de embarcação, de onde vinha e qual o seu destino continuam um mistério.

"Navio do norte" é o nome atribuído por pescadores a este naufrágio, localizado a norte de Angeiras.

Desta embarcação resta a carga, ou parte desta, constituída por canhões com os respetivos rodados e balas, algumas peças metálicas, folhas de cobre armazenadas em lotes, algumas pedras de lastro, entre outros. Ainda é possível ver alguns pedaços de madeira que pertenciam à estrutura da embarcação, e que devido ao constante assoreamento se preservaram até aos dias de hoje. 

Este naufrágio encontra-se em mar aberto, num fundo de areia, a uma profundidade de 33 metros. Como na generalidade dos naufrágios desta costa, a fauna é abundante, sendo possível encontrar com frequência cardumes de fanecas, congros, lavagantes e polvos. É frequente encontrar redes junto ao local. 

Existem indícios, não confirmados, que este possa ser uma secção de um vapor inglês naufragado nestas águas em meados do século XIX.

Esse navio vapor chamava-se "Tiber" e pertencia à companhia britânica P&O Line.

Lançado à água a 8 de Agosto de 1846, este navio chegou a Southampton a 26 de Outubro, vindo dos estaleiros Caird & Co, em Greenock, onde fora construído, e estava destinado às rotas peninsular, italiana e do Mar Negro. Esteve para se chamar "Ceylon". Tinha 56.29 metros de comprimento, 8.15 metros de boca, 5.26 metros de pontal e deslocava cerca de 763 toneladas. Estava equipado com 2 motores, ou cilindros, de 280 hp que faziam rodar as pás laterais e originavam uma velocidade máxima de 9 nós. O casco era revestido com placas metálicas e tinha capacidade para transportar 225 toneladas de carvão. Custou aos cofres da P&O Line cerca de £28,600 e estava seguro por £20,000.

Naufragou ao largo de Vila Chã, a 21 de Fevereiro de 1847, ao princípio da tarde, quando fazia viagem de Gibraltar para Southampton, com o Capitão Bingham como comandante. Tinha feito escala em Lisboa de onde zarpara às 8h da manhã do dia anterior com 12 passageiros de primeira classe, alguns de segunda classe e um punhado de Galegos que seguiam para Vigo onde faria uma última escala antes de rumar ao seu destino final.

As causas deste naufrágio continuam inconclusivas, pois temos duas versões da história.

Nos documentos existentes em Portugal, diz-se que este navio afundou devido a um forte temporal e que, apesar da ajuda de pescadores e gente local, pereceram cerca de 30 pessoas, entre tripulação e passageiros.

Noutras pesquisas, encontramos relatórios escritos na época que nos informam que o navio navegava sob intenso nevoeiro e que colidiu com uma pedra ao largo de Vila Chã. Após a colisão o navio partiu-se afundou em águas profundas em breves minutos. Grande parte da carga perdeu-se e lamenta-se a perda por afogamento de um membro da tripulação, o cozinheiro, um oficial espanhol chamado Lagarte La Carte, 2 "galegos" e uma criança espanhola.

Embora distintas, ambas apresentam um ponto em comum, grande parte do correio e carga existente no porão afundaram com o navio. Entre a carga encontrava-se um carregamento de moedas de ouro com destino aos cofres reais.

Autoria: Luís Mota

Batelão

O Batelão, de seu verdadeiro nome "Cantanhede", fazia parte de uma composição de três embarcações, dois batelões, o "Cantanhede" e o "Micaelense", e o rebocador "Marialva" ao comando.

O rebocador "Marialva", construído em 1937, encontrava-se registado em nome da SOFAMAR, Sociedade Fainas de Mar e Rio  e deslocava cerca de 111 toneladas. Júlio Fernandes Parracho era, desde há muito, o seu comandante e encontrava-se a bordo nessa fatídica noite onde, juntamente com os restantes membros das tripulações das três embarcações, encontrou o seu destino final. 

Zarparam de Setúbal com destino ao Porto com um carregamento de cimento, quando, à chegada ao destino, encontraram um violento temporal, que causou o naufrágio e a morte dos seus 17 tripulantes. A tripulação do "Marialva" era composta por 9 elementos, a do "Cantanhede" era constituída por 4 elementos e a do "Micaelense" era constituída também por 4 elementos. Aconteceu na madrugada do dia 7 de Dezembro de 1959. 

Diz-se que, devido ao temporal, os batelões começaram a meter água e a afundar. Os homens tentaram libertar-se, sem sucesso, dos reboques, e estes quando afundaram, acabaram por virar e afundar o rebocador.

Fala-se também que, durante esta azáfama, o Batelão colidiu com o "Marialva", facto que merece alguma credibilidade, pois a proa do lado de bombordo deste naufrágio encontrava-se amassada, como se tivesse batido em algo.

O segundo batelão, o "Micaelense", construído em madeira, acabou por vir dar à praia da Madalena e o rebocador permanece em parte incerta.

O Batelão encontra-se desde então a aproximadamente 3 milhas de costa, com enfiamento na foz do Rio Douro, pousado num fundo de areia a 27 metros de profundidade, com orientação sul-norte.

No início da década de 90 o navio ainda se encontrava direito, com os dois porões perfeitamente divididos, a casa do leme na popa e uma divisão abaixo do convés da popa onde se encontrava um fogão a lenha. Atualmente encontra-se bastante degradado, partido a meio navio e com a popa e proa desaparecidas. Distingue-se facilmente parte da sua carga. Cimento que petrificou devido ao contacto com a água e que hoje forma uma espécie de rochedo no interior da embarcação.

Apesar do fraco estado de conservação, é um excelente mergulho onde os mergulhadores podem observar muita vida.

É um dos melhores mergulhos noturnos que se pode fazer por aqui. 

Ter em atenção que, devido à sua localização, é uma zona de fortes correntes e é frequente encontrar redes junto ao naufrágio.

Autoria: Luís Mota

Brenha

O "Brenha" era uma embarcação de pesca do arrasto. Construído em 1969, tinha 32 metros de comprimento, 7.22 metros de boca e 3.55 metros de pontal.

Largou de Leixões por volta das 23h do dia 3 de Janeiro de 1996, rumo a norte, com uma tripulação de 15 homens, entre eles João Rebelo da Silva (mestre) e José Americano (motorista). Todos residiam no concelho de Matosinhos com a exceção de um que residia na Póvoa do Varzim.

Minutos após ter deixado o porto de abrigo, colidiu com o rochedo da Guilhada, ao largo do Mindelo e abriu rombo no casco. Apesar das condições atmosféricas não serem as mais favoráveis, pois além de ser noite, estava vento forte e a chover bastante, e o estado do mar tempestuoso, a causa deste naufrágio deve-se, provavelmente, a erro humano.

Imediatamente o mestre deu à ré para tirar a embarcação daquele local e conduzi-la para alto mar. Foi uma das manobras que salvou aqueles homens, pois a forte ondulação empurraria o arrastão contra as rochas. Foram lançados três "very lights" e emitido, via rádio, um SOS. Eram 23h30m.

Veio em seu socorro a motora " O Desterrado", com o mestre David Leocádio ao leme, que quase à entrada do porto de Leixões deu meia volta e, contra a intempérie, navegou ao encontro do arrastão. Quando o encontrou, já o "Brenha" estava cheio de água. Não houve muito mais a fazer senão recolher a tripulação e regressar a Leixões.

Naufragou a aproximadamente meia milha de terra, por volta das 00h30m do dia 4. Foi achado pelo nosso Instrutor Delfim Trancoso e pelo António Carvalho a 27 de junho de 1999.

Encontra-se a 27 metros de profundidade, num fundo de areia com a quilha encravada num rochedo, deitado sobre estibordo, com orientação este-oeste. Quando começamos a mergulhar neste naufrágio, apenas o casco se encontrava intacto, pois dava a ideia que a embarcação terá andado às cambalhotas sobre o leito marinho até ser travada por um rochedo. Os mastros das redes e as antenas tinham desaparecido, e a ponte da casa do leme encontrava-se completamente amassada, como se a tivessem calcado. Em 2003 verificamos que a estrutura da ponte tinha sido arrancada, muito possivelmente pela força do mar, encontrando-se no seu lugar um buraco que dava acesso ao interior. Durante o Inverno de 2005/2006, o mar acabou por abrir quase todo o casco, mantendo-se intacto apenas a popa do navio com a sua enorme hélice. O restante parte do casco abriu como se tivessem colocado uma bomba no seu interior e a tivessem detonado. Os mergulhadores conseguem observar o bloco do motor com as válvulas perfeitamente à vista sendo que a secção da proa desapareceu quase por completo.

É preciso ter em atenção à presença de redes fantasma junto ao naufrágio. Apesar de ser um naufrágio relativamente recente a vida marinha já começou a ocupar o seu espaço, tornando no que foi em tempos uma embarcação de pesca num recife artificial.

Autoria: Luís Mota

Draga da Madalena

Naufrágio do que se supõe seja de uma draga, não tendo, no entanto, sido possível até à data qualquer identificação precisa do tipo ou nome da embarcação e data do seu afundamento. Situado ao largo da praia da Madalena, Vila Nova de Gaia, num fundo de areia com 18 metros de profundidade, este naufrágio encontra-se bastante partido, existindo espalhado pelo fundo mais do que uma secção da embarcação. Imersão ideal para mergulhadores de nível básico, pois para além de ser um naufrágio, que estimula a imaginação das pessoas, não ultrapassa a profundidade recomendada e alberga vasta vida marinha.

Autoria: Luís Mota